“As ferramentas e os materiais são apenas a arma carregada”
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“As ferramentas e os materiais são apenas a arma carregada”

O Nicholas Kilford é do signo Escorpião. Nós chamamos-lhe o Edward Norton do fine art printing. Quem é o Nicholas? É o nosso Master & Comander da impressão ou seja, a razão pela qual as nossas reproduções são tão idênticas ao real que parecem ‘separadas à nascença’. Vem conhecer o homem que conhece papéis e tintas como ninguém, o homem que nos trouxe o hábito de usar luvas de algodão.

 

Nicholas, és mesmo beef ou Nicholas Kilford é nome artístico? 

Na verdade sou uma tosta-mista: filho de pai Português e mãe Inglesa, de Bristol. O meu último apelido é Sereno mas eu uso o Kilford, acho que soa melhor 🙂

Tiveste uma vida antes da Kilford Studios ? 

O meu background é Design de Comunicação. Estudei na António Arroio e depois de um devaneio rápido pelo curso de Psicologia, voltei ao universo criativo e formei-me em Communication Design and Design and New Media, na ETIC.

O meu primeiro emprego foi na Impala, como designer. Um ano depois fui trabalhar para uma empresa de pré-produção e 12 meses depois, por volta de 2004, lancei-me a solo e fundei a Extramedia Design Studios. Basicamente fazíamos design, desde logotipos a web design. Paralelamente, acho que em 2005, apaixonei-me pela fotografia e tratei de a desenvolver de forma autodidacta. Desenvolvi e aperfeiçoei a minha técnica, experimentei muito e gastei uma pipa de massa em material. Quando dei por mim tinha-me tornado Exclusive Photographer do iStock e da Getty Images.

Nestas empresas, o processo de selecção das imagens é super exigente; isso não fez mais do que acrescentar pontos à minha obsessão pela perfeição e atenção ao detalhe. Foi uma experiência incrível; devo dizer que muito do que ali aprendi teve os seus efeitos em outras áreas do meu trabalho.

Hoje em dia, por questões de tempo, já não estou estou a contribuir activamente para a Getty, apesar de lá permanecer o meu portfolio. Ainda desenvolvi alguns projectos pessoais de fotografia, mas nos últimos anos deixei de ter tempo para me dedicar a essa área.

Na época em que desenvolvíamos projectos de design para clientes, alguns começaram a pedir-nos impressões em telas, o que nos levou a investir na nossa primeira impressora de fine art. A partir daí descolámos e criámos a nossa loja de prints online, a Extramedia. Rapidamente nos apercebemos que estávamos a trabalhar mais em impressões do que em design e acabámos por abandonar gradualmente esta área para nos dedicarmos em exclusivo às impressões de grande formato.

Sim, também aconselham como emoldurar bonito
Sim, também aconselham como emoldurar bonito

Como nasceu a Kilford Studios ? 

No início, a Extramedia tinha clientes do público em geral e também fotógrafos e ilustradores profissionais. Porém, a partir do segundo ano, começámos a ser contactados por mais artistas e mais profissionais que queriam um serviço personalizado. Não foi necessário muito tempo para que estes fossem os nossos clientes principais.

A Kilford Studios nasceu de uma necessidade latente no mercado da impressão fine art. Artistas plásticos e outros criativos procuravam um atendimento one-to-one. E nós gostávamos de conhecer os artistas, compreender o seu percurso, os seus objectivos, de forma a poder ajudá-los a atingir o melhor resultado possível.  Acreditamos em relações de colaboração com os nossos clientes, adoramos trabalhar assim e sentimos que os nossos clientes também gostam disso – ao longo dos anos, muitos já se tornaram bons amigos.

Se quiseres, em jeito de resumo, a Extramedia é a nossa loja faça-você-mesmo-o-seu-print e a Kilford Studios é o nosso serviço gourmet, personalizado, de fine art printing. Hoje em dia 75-80% do nosso negócio vem da Kilford Studios.

Neste momento, a nossa equipa resume-se a duas pessoas, eu e a minha mulher, Luísa. Conheci-a na António Arroio, depois ela foi estudar Multimedia Engineering e era a responsável pelo web development e implementação, nos nossos tempos de designers. Actualmente, a Luísa é a nossa framing guru e a nossa melhor RP, além de ser uma super-mãe e é quem me ajuda a manter a (in)sanidade mental.

Luísa, a framing-guru da Kilford Studios
Luísa, a framing-guru da Kilford Studios

Troca lá por miúdos por que razão as vossas impressões são fantásticas. 

Hoje em dia fala-se muito em reproduções em giclée. Eu prefiro o nome archival pigment prints mas, seja qual for o nome, para que estas impressões sejam realmente giclée ou archival pigment prints, devem respeitar uma série de pressupostos básicos: o primeiro é que o substrato deve ser livre de ácidos e ser composta por fibras naturais (alfa celulose, algodão ou ambas). Segundo, as tintas têm de ser tintas de pigmento (também conhecidas por tintas de arquivo), não podem ser solventes ou corantes. Têm de ser tintas de pigmento! Estas tintas, combinadas com um substrato fine art (material que recebe a impressão i.e papel, canvas etc) e a própria impressora de 12 tinteiros serão o que conferirá aos giclées não só a sua qualidade e abrangência tonal e cromática mas também a sua longevidade, em alguns casos superior a 200 anos! Por fim, a terceira parte da equação é a imagem que vai ser impressa. É fundamental que o ficheiro digital seja de grande qualidade para que se possa garantir o melhor resultado final. Será que é possível fazer uma impressão em giclée com um papel óptimo, tintas de pigmento e uma imagem tirada por um telemóvel de 2004? Talvez seja mas, na minha opinião isso é tão errado a tantos níveis, que não consigo deixar de aconselhar o cliente a não o fazer quando a qualidade da imagem é fraca. Na maior parte dos casos somos nós quem faz o scan dos trabalhos para que se obtenha uma imagem com a melhor qualidade possível.  

Contudo, estes são apenas os primeiros passos para que algo se possa considerar um archival pigment print. Dizer que isto é suficiente para ter uma reprodução digna de um museu é a mesma coisa que dizer que a única coisa que se precisa para se obter uma imagem fantástica é uma câmara profissional. Além de outro equipamento, como equipamento de criação de perfis de impressão (criamos os nossos próprios perfis .icc) há sempre um ser humano atrás das máquinas e isso é o que faz a real diferença. Nós acreditamos (e eu penso que isso se nota no nosso trabalho) que muito está relacionado com o conhecer as ferramentas, os materiais e saber tirar deles o máximo partido. É ter conhecimentos profundos de imagem digital, de edição e calibração de cores, como é que diferentes imagens reagem perante diferentes substratos, etc.

Mas, mais uma vez, as ferramentas e os materiais são apenas a arma carregada; precisas sempre de alguém para premir o gatilho e acertar no alvo.

Em que medida o papel é importante? É tudo uma questão de papel ou não só? 

Tal como referi acima, o papel é uma parte extremamente relevante no processo mas não é a única. Não quero que isto soe a cliché mas o todo é mesmo maior que a soma das partes.

O realismo dos prints da Kilford Studios
O realismo dos prints da Kilford Studios
Uma das operárias da Kilfrod Studios
Uma das operárias da Kilfrod Studios

Já tinhas ouvido falar no Merc’art antes de te contactarmos? 

Sim, temos alguns clientes que participaram na primeira edição que nos falaram do projecto.

O que é que te atraiu e te fez dizer sim a colaborares connosco? 

O conceito da arte democrática foi algo que nos impactou de forma profunda. O talento abunda em Portugal mas passa muitas vezes despercebido. Projectos como o Merc’art mudaram isso e vão continuar a fazê-lo. Por um lado os archival pigment prints ajudam os artistas a viver para além dos seus originais, muitas vezes com retorno superior à venda das suas peças únicas e por outro permitem que o cidadão comum compre peças de colecção de alta qualidade, a preços razoáveis.

Quando a Alexandra veio ter connosco, soube que queria trabalhar com ela 20 segundos depois de termos começado a conversar. Foi muito fácil.

Onde gostavas de chegar com o Merc’art? 

Gostava que o Merc’art se tornasse no sítio nº1 para comprar obras de arte fantásticas a preços razoáveis e de poder ajudar a tornar isso possível.

O projecto é sólido, tem um foco muito forte em artistas portugueses incríveis e há uma atomic blonde ao leme. Who else…? 🙂

É verdade que vem aí um novo Kilford onde vais investir muito papel? 

LOL! Sim, juntámos um novo elemento à equipa, o nosso rapazinho-bebé, Lucas. Não sabemos ainda muito bem que função irá desempenhar… mas inclinamo-nos para as relações públicas. LOL!

E sim, ele certamente vai exigir uma quantidade simpática de papel (do verde), e posso já adiantar que, em breve, sairá uma edição gigantesca de prints do miúdo.

 

https://www.instagram.com/kilfordstudios/

extramedia.pt

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