“Gostava de fazer uma grande reportagem, mundial , sobre a condição feminina.”
Posted in ArteExperiênciasVida

“Gostava de fazer uma grande reportagem, mundial , sobre a condição feminina.”

No mês em que se celebra a condição feminina destacámos as artistas que fazem parte do Merc’art. E como forma de fechar o mês de Março, decidimos entrevistar a Teresa Canto Noronha. Deste lado, vemo-la como a nossa artista mais conceptual; do lado de lá, os espectadores conhecem-na enquanto a jornalista que nos traz reportagens de fundo sobre a realidade internacional.

Signo do Zodíaco e local de nascimento? 

Nasci em Ponta Delgada, nos Açores. Sou Peixes. Não percebo nada de signos nem de astrologia mas, dizem-me, que sou Peixes com ascendente Touro e que essa mistura se nota em mim. Como não sei, não garanto 🙂

Qual foi a razão que te fez vir viver para Lisboa?

Vim para Lisboa estudar Engenharia Química, no Instituto Superior Técnico. Uma escolha errada mas que me levou a ficar nesta cidade, que amo.

O que é que sentes mais falta, dos Açores?

Sinto falta de tudo, na verdade. São todas as minhas referências, todo o meu passado. Nasci e vivi em Ponta Delgada até aos 18 anos. Ali estão as minhas bases. Embora adore viver em Lisboa, e já tenha vivido noutras cidades e noutros países, sinto uma ligação especial às cores, sons e cheiros do lugar de onde vim.

Quando eras pequenina já andavas de microfone na mão, a falar sobre política internacional?

Não, de todo! O jornalismo surgiu em 1988, nem eu sei bem porquê. Foi como aqueles amores que encontramos. É paixão à primeira vista e, depois, já não sabemos, nem podemos, viver sem eles.

Teresa em directo para a SIC Notícias
Teresa em directo para a SIC Notícias

O que é que te dá mais pica no jornalismo? O que é que te irrita solenemente?

O que mais gosto é de poder contar histórias, ou relatar factos, que permitam às pessoas perceberem realidades diferentes daquelas que vivem. Ou alertá-las para a realidade que, tantas vezes, não querem ver porque preferem fazer de conta que o resto do mundo é como aquele que conhecem.

O que mais me irrita é ter de ouvir, constantemente, críticas ao jornalismo que, na maioria das vezes, são injustas, infundadas e apenas uma forma, absurda, das pessoas descarregarem no mensageiro o que não têm a coragem de cobrar a quem é responsável.

O que é que gostavas de fazer enquanto jornalista que ainda não tenhas feito?

Gostava de fazer uma grande reportagem, mundial , sobre a condição feminina.

Uma das obras da Teresa Canto Noronha
Uma das obras da Teresa Canto Noronha

Quando é que a Teresa-artista veio espicaçar a Teresa-jornalista?

Só há uma Teresa. As duas profissões são essenciais, e complementam-se. Em 2001, quando era correspondente em Bruxelas, tive a minha primeira casa. As paredes eram só minhas e, pela primeira vez, pude mostrar o meu trabalho artistico sem ter de perguntar a outra pessoa se achava bem, ou mal. Durante uns anos, depois disso, ainda tinha vergonha de mostrar as minhas peças (na altura fazia só escultura e instalação) a desconhecidos. Fazia peças que escondia em caixas. Só no final de 2012 ganhei coragem para começar a expor. Talvez nisso, o facto de ser jornalista de televisão me tenha condicionado – receava que a exposição que o jornalismo me dá,  impedisse os outros de perceberem a conceptualidade do meu trabalho artístico.

Como é que consegues conjugar esses dois lados?

Não há qualquer dificuldade, para mim. Sou conceptual e factual, ao mesmo tempo. Não tenho apenas uma dimensão e as duas profissões permitem-me mostrar esses meus dois lados. Ninguém se lembraria de questionar, sobre isso, um médico  que também seja escritor. Ou um engenheiro que seja músico, Por alguma razão, que muito me irrita, as pessoas parecem achar estranha esta conjugação.

São lados estanques ou alimentam-se de alguma maneira?

Até agora, não senti que tivesse havido uma sobreposição.  Nem que as experiências, enquanto jornalista, me levassem a criar peças ou desenhos. Mas tenho a certeza que isso poderá acontecer a qualquer momento porque ambas as profissões tocam em emoções.

Merc´Art-Blog-Teresa Canto Noronha- Work5 -Artist-Jornalist- SIC- Painter-Colors

Teresa, qual é a obra que te falta?

Faltam-me todas as que ainda não fiz. Falta-me uma peça de arte urbana, que quero muito fazer, por exemplo. Falta-me poder expor em tamanhos grandes, também. Falta-me tempo, às vezes, para aprender mais e ver mais e trocar ideias com outros artistas – porque acredito que é o contacto com a arte que nos permite trabalhar cada vez mais.

 

https://www.teresacantonoronha.com/

https://www.instagram.com/explore/tags/teresacantonoronha/

"Artista e jornalista da SIC Teresa Canto Noronha expõe no Porto" por SIC Notícias
"Artista e jornalista da SIC Teresa Canto Noronha expõe no Porto" por SIC Notícias
A Alexandra escreve. Ela diz que esta é uma das coisas que sabe fazer: adora contar histórias e sabe como as pessoas ficam presas a uma história bem contada. As boas narrativas comunicam momentos que nos abraçam para sempre.

Não existem comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Escreve algo e pressiona Enter para pesquisar

Carrinho

Nenhum produto no carrinho.