Rita Ravasco
Sobre a artista

Quando penso no início do meu percurso artístico, no meu primeiro contacto com o universo criativo, as primeiras imagens que me surgem na memória são referências de infância, como: as clássicas canetas de feltro Molin (aquela deliciosa gama de cores que permitia dar vida aos desenhos e livros de colorir) e a plasticina, que possibilitava a construção de personagens imaginários.

Posso dizer que aos 5 anos de idade senti o meu primeiro “orgulho criativo”- esculpi um dinossauro amarelo fluorescente em plasticina, que não só acrescentou em mim algo mágico, como também despertou o interesse dos meus colegas de turma. Penso claramente que este terá sido o meu primeiro contacto com o universo artístico.

Durante todo o meu percurso escolar, sempre tive a tendência para as artes. Todos os meus livros e cadernos estavam repletos de desenhos, mesmo quando não era permitido fazê-los.

Aos 13 anos, por necessidade, construí o meu primeiro diário gráfico, que apresentava as primeiras tentativas sérias de desenho. Até hoje, o diário gráfico é uma ferramenta fundamental no meu trabalho.

A minha infância e o local onde cresci são também, sem dúvida, pontos relevantes para o que faço actualmente. Crescer no Alentejo, mais precisamente em Mourão, permitiu-me desenvolver um olhar atento sobre o que está à minha volta. Ofereceu-me também uma forte ligação com a natureza, especialmente com os animais (que surgem muitas vezes nas minhas peças).

Aos 16 anos comecei as minhas primeiras buscas de expressão, quando fui estudar para a Escoa Secundária Santa Maria em Portela de Sintra.

Em 2010, iniciei a licenciatura no curso de Artes Plásticas- Pintura Intermédia- no Instituto Politécnico de Tomar. Este ingresso foi importante para o desenvolvimento de novos conceitos e formas de observar e explorar o que havia ao dispor.

Quando terminei a licenciatura, não sabia exactamente o que iria fazer com tudo o que tinha apreendido- comecei por não me associar a nenhum registo e a nenhuma forma de expressão. Nesse momento, de tanta informação, senti uma loucura quase que esquizofrénica, em que testava várias coisas no universo artístico: desenhos, vídeo, fotografia, ato-motion, pintura, colega, composições com objectos, meios digitais aliados à pintura. Todo este material foi publicado nas redes sociais. Esta fase foi muito relevante para mim, fez-me perceber que na arte é importante existir diversão na busca, tentativa e erro, no testar até ao limite, procurar algo mesmo que não se saiba o que realmente se procura.

Durante as publicações de material nas redes sociais, em 2015, participei no concurso de Ilustração Contemporânea Portuguesa, no qual fiquei em primeiro lugar com o tema “Passagens. No mesmo ano, surgiu um convite para criar ilustrações para a revista Sábado. Foi nesse momento que tive a percepção de que o meu trabalho já estava a ganhar alguma maturidade.

A procura e interesse no meu trabalho continuou a aumentar e a busca estava a tornar-se cada vez mais associada à exploração dos meios digitais em conjunto com a pintura- estudo de cor e temas centrados em pessoas e tudo o que representam, animais e natureza. Nessa altura surgiu também o interesse da pintura de mural, interesse esse que tem crescido e tenho vindo a desenvolver.

Neste momento, estou focada em explorar este processo que permite ter versatilidade nos resultados que apresento- criando harmonia entre o pincel e o mundo da pintura digital. Tiro partido da criação digital, um trabalho mais detalhado e limpo, crio reproduções da mesma versão em murais e crio também de uma forma mais completa, uma fusão entre o digital impresso em papel e a pintura em acrílico e o riscado do desenho.

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