Pedro Alonzo: ‘Não me sinto confortável com hierarquias.’

Pedro Alonzo: ‘Não me sinto confortável com hierarquias.’

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Pedro Alonzo é uma das pessoas cujo trabalho mais admiro.

Curador de arte de renome internacional, trabalha com alguns dos grandes nomes da arte actual: Shepard Fairey, Banksy, Yoshitomo Nara, KAWS, Takashi Murakami, JR, são alguns dos artistas com quem já desenvolveu projectos. Seria impossível ficar indiferente a estes nomes; mas devo dizer que é a visão, o passado e a experiência de Pedro Alonzo que me fazem segui-lo com redobrada atenção.

Conheci o Pedro numa conferência em Lisboa em 2017. Este ano, aceitou ser entrevistado para o nosso blog.

Conta-nos um bocadinho sobre os teus primeiros anos de vida: onde nasceste e viveste durante a tua infância?

Nasci em Tijuana, México, na fronteira com os Estados Unidos. Atravessar a fronteira entre Tijuana e San Diego, na Califórnia, é algo muito dramático. Passamos da riqueza excessiva das mansões maravilhosamente limpas e fechadas do Sul da Califórnia para o pó e a anarquia do Norte do México. Eu adoro Tijuana; foi a cidade que me ensinou a apreciar a impureza e o caos.

Quando eras criança o que é que querias ser quando fosses grande?

Na verdade sonhava ser um espião como o James Bond.

Que influência exerceram as tuas raízes sobre ti?

Desde muito cedo fui exposto ao mundo das artes pela minha família. Aos 12 anos viajei para a Europa com os meus avôs e visitei muitos dos grandes museus europeus. Nessa viagem, tornou-se claro para mim que a arte era algo especial. Ter acesso à arte é também ter contacto com a experiência única que proporciona.

Como é que te tornaste curador?

Conheci o mundo da Arte Contemporânea enquanto estudante, em Monterrey, no México. Trabalhei numa galeria e ali conheci artistas, curadores e coleccionadores. Percebi que era um mundo onde eu queria estar. Contudo, eu não estudei História de Arte, a minha formação é em Comunicação e por isso não sentia que ‘merecesse’ fazer curadoria. Foi a navegar pelo mundo da arte que tomei contacto com artistas e exposições. E num determinado momento, Peter Doroshenko, o director de museu, convidou-me a ser curador de uma exposição no Milwaukee. A partir daí, nunca mais parei. Foi o apoio e a sabedoria de curadores como Doroshenko, Walter Hops e Victor Zamudio que me ajudaram a ser curador.

Artista: JR
Projecto: “Kikito” (Setembro de 2017) |  Instalação de arte pública, Tecate, Mexico
Artista: JR Projecto: “Kikito” (Setembro de 2017) | Instalação de arte pública, Tecate, Mexico

O que é que adoras na arte? O que é que te irrita no mundo da arte?

Adoro o facto da arte desafiar as convenções. Uma das coisas de que mais gosto enquanto curador é propor um projecto a um artista e ver o que vem do lado de lá. A visão artística é inspiradora. Os artistas desenvolvem ideias que eu seria incapaz de conceber.
Por outro lado, não me sinto confortável com hierarquias. Talvez seja essa a razão pela qual nunca consegui trabalhar a tempo inteiro num museu.

Como é que a arte te influencia a nível pessoal?

Trabalhar com street artists fez-me perceber que era possível desenvolver projectos independentes, sem uma instituição por detrás. Isto foi verdadeiramente libertador. Além disso, adoro desenvolver projectos com artistas. A forma como pensam, inspira-me.

Artist: Michelle Angela Ortiz |
Project Details: “We are human beings” (2015), 16th & Callowhill Street, Philadelphia, PA, United States of America
Artist: Michelle Angela Ortiz | Project Details: “We are human beings” (2015), 16th & Callowhill Street, Philadelphia, PA, United States of America

Em que é que estás a trabalhar agora?

Neste momento estou a trabalhar em diversos projectos mas os que posso referir são a exposição da Alicia Kwade no Dallas Contemporary, o Doug Aitken‘s New Horizon, um balão espelhado de ar quente que sobrevoará o Massachusetts, este verão, e o evento dos 30 Anos do Shephard Fairey.

Com que artista gostarias de trabalhar ou gostarias de ter trabalhado?

Gostaria de ter trabalhado com a Ana Mendieta e o Keith Haring. Gostaria de criar uma exposição para um museu com o Vhils e o Momo.

O que é que achas da arte contemporânea portuguesa?

Sou um grande fan do Vhils. Fora isso, lamento dizer que sou bastante ignorante quanto à arte contemporânea portuguesa.

O que é que achas do Merc’art e do conceito Democr’art?

Acho extremamente importante que haja arte acessível a um segmento mais amplo da população. As reproduções são a forma perfeita de o fazer.

Que conselho dás a um projecto como o Merc’art?

Desenvolvam projectos únicos com os artistas.

Será que te conseguiremos ver por Lisboa em breve?

Adoraria voltar a Lisboa mas, infelizmente, não deverei voltar nos tempos mais próximos.

Artista: Sam Durant, em colaboração com The City of Philadelphia Mural Arts Program’s Restorative Justice and Graterford State Prison | 
Projecto: “The Labyrinth” (Outubro 2015), City Hall, Philadelphia, PA, Estados Unidos da América
Artista: Sam Durant, em colaboração com The City of Philadelphia Mural Arts Program’s Restorative Justice and Graterford State Prison | Projecto: “The Labyrinth” (Outubro 2015), City Hall, Philadelphia, PA, Estados Unidos da América

Comentários(2)

  • Esta Newsletter tem mais conteúdo de interesse e valor que muita revista…parabéns e obrigado!

    Anónimo
    Responder
    • Muito obrigada Valente 1966, esperamos sinceramnete que continue a gostar!

      Alexandra Quadros
      Responder

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