Faz arte como uma garota

Faz arte como uma garota

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Os extremismos sempre me fizeram confusão. A agressividade nas disputas de opinião, o preto e o branco sem nada pelo meio, a necessidade de afirmar um ponto de vista no sentido de ‘ser contra’ alguma coisa, sem ver o outro lado. Raras vezes me consegui colocar dessa maneira e confesso que as vezes em que o fiz, saí da situação com muito pouco orgulho em mim mesma; ficou sempre um amargo de boca que soava a ego surdo e cego para o ponto de vista do outro.

Talvez por isso tenha dificuldades em me ver dentro da designação ‘feminista’.  Também porque, à semelhança das posições extremadas, não gosto de rótulos, acho-os limitativos e, muitas vezes, armas perigosas para usarmos o dedo indicador (apetece-me logo usar o dedo do meio). Tenho um orgulho imenso em ser mulher, existem muitas mulheres que admiro até à exaustão, e acho mesmo que temos características que nos fazem absolutamente sobre-dotadas em muitas áreas da nossa existência. Mas não consigo que isso me leve a afirmar que somos melhores que alguém, ou a assumir posições contra algum género que não seja o meu.

Dito isto, outras coisas para mim são muito claras. Se eu tivesse filhas, trataria de lhes ensinar e recordar que se hoje em dia usam calças, um bikini ou o que lhes apetece, é porque muitas mulheres lutaram por isso. Que se estudam e podem escolher uma profissão, é porque existiram outras mulheres que passaram infernos para o conseguir. Que se têm a liberdade de tomar uma bebida ou um café num sítio qualquer, é porque mais outras se escaqueiraram para isso. Que não votar, nunca será uma opção, porque foi mais outro direito conquistado por outras tantas que morreram a defendê-lo. Trataria de lhes incutir que serem maltratadas ou limitadas na sua liberdade nunca é algo negociável.

Nessas situações, sou feminista.  Seria feminista se vivesse em alguns países do mundo onde se procura limitar a arte de ser mulher, e lutaria como uma garota, sem hesitar. 

Neste mês de Março, no Merc’art, celebramos todas aquelas que fazem arte como uma garota.  Celebramos todas as garotas que diariamente se atrevem a colocar no seu trabalho aquela coisa bonita que não se explica, que se defende a si própria por aquilo que é: o fruto de uma natureza absolutamente singular e única, uma natureza chamada mulher.

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